O caminho da padronização no Streetwear.
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O caminho da padronização no Streetwear.

O ciclo da padronização.

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Você já parou pra pensar, que nossa sociedade é formada por diversos tipo de padrões, estereótipos de beleza, padrão de vestimentas, exemplo disso temos os padrões de medidas nacionais, em 2009 a norma NBR – 15800 estabeleceu o padrão brasileiro para roupas infantis e o mesmo aconteceu em 2012 com a norma NBR – 16060 com a padronização de roupa masculina e até hoje a ABNT junto ao SENAI ainda estuda o formato padrão de roupas femininas.

 Podemos observar até mesmo uma linha de pensamento que segue como exemplo para as outras, impondo a total parede para novos pensamentos, apenas deixando traços e pensamentos antigos, como ‘menina veste rosa e menino veste azul’ a maioria das pessoas nem sabem que vivem em um constante circulo padronizado, aonde a inovação e a criatividade muitas vezes nem fluem direito.

De acordo com a psicologia, o ser humano é um animal social, nós sempre estamos buscando formas de pertencer à algum grupo de pessoas das quais compartilhem os mesmos gostos que nós. Isso se desenvolve em todos os seguimentos imagináveis, nós queremos ter aquela sensação de pertencimento à algo que nos satisfaz e ao mesmo tempo procuramos nos destacar e sermos aceitos dentro desse mesmo grupo no qual somos imersos. 

Em um mundo totalmente digital e visual, a moda passou a ser uma boa exemplificação dessa teoria. Estamos o tempo todo buscando as novas tendências que nos identificamos em um primeiro olhar, e depois analisando se, naquele grupo ao qual escolhemos pertencer, analisamos se é uma tendência que será um destaque ou totalmente descartada dos planos. E conforme mais pessoas forem aderindo aquela nova tendência, mais nos sentimos motivados e influenciados à aderir ao que uma grande parte desse grupo está consumindo, e é aí que a padronização entra em ação. 

Antes, o padrão era visto como um plano primário para ser trabalhado em outras 'sub vertentes', por exemplo, um grupo desse mesmo padrão era visto com algo para se diferenciar de outros grupos também desse mesmo padrão, apenas alternando um ou mais detalhes onde aquele grupo podia se identificar entre si e ao mesmo tempo se destacar entre os outros grupos. Ficou confuso, né? Calma que eu já explico melhor! 

O documentário FRESH DRESSED (2015), explica que na cena do hip-hop dos anos 70/80 o vestuário era a peça chave de identificação para as pessoas que curtiam esse estilo de música daquela época, alguns rappers e grandes nomes de destaque contam que na cena do hip hop nova-iorquino, pessoas de determinados bairros (Brooklyn, Harlem, etc) se vestiam de uma certa maneira justamente para se diferenciarem de nova-iorquinos de outros bairros que também curtiam a cena do hip-hop e do vestuário dessa vertente. Pequenos detalhes como o jeito que o cadarço era amarrado ou o tipo de cadarço que era usado, um determinado tipo de tênis, ou até um conjunto esportivo em veludo e cores berrantes no outfit já era uma padronização “estabelecida” para a identificação daquela pessoa com o bairro a qual ela pertencia e ao mesmo tempo funcionava como uma distinção entre as pessoas dos outros bairros, apenas pelo modo de se vestir. 

Desde os anos 70 muita coisa na cena do hip-hop e do streetwear mudou, evoluiu e se remodelou, mas a necessidade de padronização ainda continua, como um ciclo vicioso. Ultimamente, esse fator é muito presente no “hype” norte-americano e de uma forma muito semelhante aqui no Brasil, com menor força no mercado de marcas nacional que é um mercado que cresce aos poucos. Somos um mercado que, além de ser consumidor e adoradores de determinadas marcas e colaborações de artistas e marcas, estamos sempre na busca de pertencer à um padrão: seja um modelo de tênis estouradíssimo, ou aquela marca de luxo que decidiu investir no street para buscar mais clientes desse nicho.

O psicanalista Flávio Gikovate, tinha um pensamento sobre padronização, aonde ele dizia ‘’ Em uma época em que, teoricamente, a liberdade é máxima e todos poderiam ser superirreverentes, as pessoas nunca foram tão parecidas.”

Essa frase, nunca fez tanto sentido, em um espaço praticamente ilimitado, as pessoas tendem a se vestir iguais, sendo assim acabam buscando as mesmas peças, lojas e marcas, nunca abrindo espaço para o novo, sendo assim, sempre entrando em uma bolha social e seguindo várias tendências de moda e estéticas de beleza padrões. 

O mesmo acontece com nosso cenário atual, o mercado de marcas nacionais, voltadas ao streetwear, está ligado a um ciclo de consumo e apropriação. Essa apropriação, sendo relacionada a marcas internacionais, como a famosa Supreme, que segue como espelho para diversas brands. A maioria das marcas nacionais veem o conteúdo de fora como referência, porém na hora da produção muitas tendem fazer algo como uma releitura ou muitas vezes são apenas copias, automaticamente deixando o território nacional muito igualitário, pois a diversidade de marcas tendem a produzir o mesmo conceito, deixando o Streetwear nacional sem um ar de criatividade e inovação brasileira, aonde ficamos em patamar fixo.

Então, podemos observar que, entre toda essa falta de criatividade, as pessoas não tentam fugir um pouco da sua linha de pensamento, deixando tudo muito vazio. Devemos construir nossa própria indentidade e estilo, mesmo parecendo tão difícil né? Mas não é, basta você se esforça, se aceitar e abrir a mente para novos patamares, só você pode criar a sua própria identidade visual, com seus conceitos, seus gostos e suas referências, um conceito que você tem poder sobre ele e que possa ser alterar a qualquer momento, porque foi você que o criou, ignorando todas as tendencias e os meios de pensamento padronizados, assim criando um ser livre e diferentes, entre as outras pessoas do seu meio social. Basta você se aceitar, você escolhe permanecer em um estilo padrão ou não, tudo depende de você!

Produzido por: @Zlezzy & @Gustavindcozy 
Arte por: @Artofnvck














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